<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?><rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><channel><title>consequencedactions</title><link>https://consequencedactions.com/</link><description>Recent content on consequencedactions</description><generator>Hugo</generator><language>pt-pt</language><lastBuildDate>Fri, 04 Sep 2026 22:34:57 +0100</lastBuildDate><atom:link href="https://consequencedactions.com/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>a língua do fundo-</title><link>https://consequencedactions.com/posts/a-l%C3%ADngua-do-fundo/</link><pubDate>Fri, 04 Sep 2026 22:34:57 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/a-l%C3%ADngua-do-fundo/</guid><description>uma língua que a dor parece falar com mais facilidade do que a felicidade.</description></item><item><title>não quero multidões-</title><link>https://consequencedactions.com/posts/n%C3%A3o-quero-multid%C3%B5es/</link><pubDate>Thu, 27 Aug 2026 22:19:54 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/n%C3%A3o-quero-multid%C3%B5es/</guid><description>&lt;p&gt;eu tinha tanta gente,&lt;br&gt;
agora tenho tão pouca gente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tantos nomes, tantas conversas,&lt;br&gt;
tantas promessas dispersas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tenho-te a ti,
e amo-te, sim,
mas não quero que o meu mundo
acabe aqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;preciso de alguém para chamar,
de alguém que queira ficar,
de alguém que apareça
sem eu ter de implorar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e preciso dela.
catorze anos não cabem
numa mensagem esquecida,
nem numa amizade
que se torna despedida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não quero multidões,
quero ligações.
não quero presença por obrigação,
quero alguém que fique
por vontade e coração.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>sofia.</title><link>https://consequencedactions.com/posts/sofia/</link><pubDate>Thu, 27 Aug 2026 22:19:29 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/sofia/</guid><description>&lt;p&gt;sofia.
há catorze anos que existimos uma na outra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e agora,
não sei se existimos
na mesma medida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mandei mensagem.
ficou lá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;liguei.
ficou lá também.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;depois vejo-te
a rir noutras fotografias,
a ocupar stories,
a viver perfeitamente
sem a parte de mim
que costumava caber nos teus dias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e talvez seja isso
que mais me assusta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não o perder-te de repente,
mas só conseguir assistir
enquanto a tua ausência
se torna normal.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>"pôr a carroça à frente dos bois."</title><link>https://consequencedactions.com/posts/p%C3%B4r-a-carro%C3%A7a-%C3%A0-frente-dos-bois/</link><pubDate>Wed, 26 Aug 2026 19:56:59 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/p%C3%B4r-a-carro%C3%A7a-%C3%A0-frente-dos-bois/</guid><description>&lt;p&gt;“pôr a carroça à frente dos bois.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;há quem diga
que é andar ao contrário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mas quem é que decidiu
qual é o lado certo
de uma coisa que ainda nem começou?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;às vezes quero tanto chegar
que me esqueço
de sair.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;faço planos para o fim
antes de saber
o princípio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;construo a janela
antes da parede.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;escrevo a última palavra
e depois procuro um poema para a merecer.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>não te escrevi</title><link>https://consequencedactions.com/posts/n%C3%A3o-te-escrevi/</link><pubDate>Wed, 26 Aug 2026 19:38:04 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/n%C3%A3o-te-escrevi/</guid><description>&lt;p&gt;não te escrevi
a ti&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;nem à pessoa que acha
que uma rapariga deve saber ouvir
mas não precisa de saber dizer&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não te escrevi
a quem fecha portas
e chama isso de proteção&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;nem a quem corta asas
e chama a isso educação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não te escrevi para quem quer versos bonitos
desde que não tragam perguntas pelo caminho&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;escrevo para quem olha para uma palavra
e não pergunta primeiro
se ela está no lugar certo&lt;/p&gt;</description></item><item><title>nem todos os olhos</title><link>https://consequencedactions.com/posts/nem-todos-os-olhos/</link><pubDate>Wed, 26 Aug 2026 19:15:55 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/nem-todos-os-olhos/</guid><description>&lt;p&gt;o que eu escrevo
não nasceu para agradar
a todos os olhos
nem para todos os ouvidos ficar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;um poema meu nunca será para quem pensa
que uma rapariga deve saber calar
mas não precisa de aprender a escrever,
sonhar, perguntar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não será para quem chama “demais”
à voz de quem quer crescer
nem para quem confunde ser educada
com nunca responder&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não escrevo para quem quer flores
mas arranca as suas raízes ao passar
nem para quem pede liberdade
sem deixar ninguém respirar&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Antes de fechar</title><link>https://consequencedactions.com/posts/antes-de-fechar/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 23:17:01 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/antes-de-fechar/</guid><description>Cada palavra aproxima-se de outra, criam uma ligação através do som, mesmo quando o verso fica incompleto.</description></item><item><title>politquices- pt4</title><link>https://consequencedactions.com/posts/politquices--pt4/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 23:00:51 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/politquices--pt4/</guid><description>&lt;p&gt;há sempre um barco no jornal,
mesmo quando o mar está calmo,
uma mala vira ameaça,
um sotaque vira alarme,
e o medo aprende a falar por nós.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mandam fechar as janelas
contra quem chega da rua,
mas deixam abertas as portas
por onde entra, há anos,
aquilo que ninguém denúncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;na mesa, discute se fronteiras,
como se a moral tivesse alfândega,
como se o respeito pedisse passaporte,
como se a violência soubesse
distinguir chegada de pertença.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>politiquices- pt3</title><link>https://consequencedactions.com/posts/politiquices--pt3/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 23:00:18 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/politiquices--pt3/</guid><description>&lt;p&gt;uma chave não serve
se já levaram a porta,
um mapa não serve
se já levaram a rua,&lt;br&gt;
e “casa” não cabe num comunicado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;disseram que era segurança,
palavra bonita, essa.
cabe num discurso,
cabe numa farda,
não cabe debaixo dos destroços.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;há homens que chamam linha à fronteira
porque nunca tiveram de pará-la,
há homens que chamam alvo a uma janela
porque nunca tiveram de olhar para dentro dela.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>politiquices- pt2</title><link>https://consequencedactions.com/posts/politiquices--pt2/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 22:59:42 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/politiquices--pt2/</guid><description>&lt;p&gt;Na rua, uma mulher passa por mim
com as chaves entre os dedos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não sei se ela sabe
que eu reparei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez também tenha herdado isso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há coisas que as meninas aprendem
antes de aprenderem a escrever.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não vás por ali,
não olhes assim,
manda mensagem quando chegares,
não fiques sozinha,
não confies demasiado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois crescem
e chamam-lhes prudentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ninguém chama medo
ao medo quando ele é feminino.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em casa, o meu pai pergunta se eu já comi.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>politiquices- pt1</title><link>https://consequencedactions.com/posts/politiquices--pt1/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 22:59:08 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/politiquices--pt1/</guid><description>&lt;p&gt;Às vezes penso que nasci demasiado tarde
para acreditar nas promessas,
e demasiado cedo
para desistir delas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A minha mãe guarda sacos
dentro de outros sacos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não por serem bonitos.
Porque podem dar jeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há uma espécie de inteligência
em não deitar fora
quando se aprendeu que tudo pode fazer falta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu herdei isso dela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Guardo mensagens que nunca vou reler.
Roupas que já não visto.
Pessoas que já me fizeram mal.
Pequenas culpas
que não sei de quem eram
antes de serem minhas.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Capital</title><link>https://consequencedactions.com/posts/capital/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 22:30:53 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/capital/</guid><description>&lt;p&gt;I learned that capital means money, then learned to capitalize my name,
as though a person becomes worth more
by learning where their letters should stand.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Capital city.
Capital punishment.
Capital gain.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Strange little family of words,
one builds,
one takes,
one kills.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;And somewhere between them,
a girl is taught to become capita,
to make herself valuable, legible,
marketable enough to be mistaken for safe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;So I learned the price of things
before I learned their worth.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Spine-</title><link>https://consequencedactions.com/posts/spine/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 22:30:39 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/spine/</guid><description>&lt;p&gt;Books and women share a spine.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;One is judged by how well it holds together.
The other by how long it can.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;We call them
well-read
well-bread
well-bound,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ironic how every compliment sounds like a way to keep something closed.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A bent page
becomes a bookmark.
A bent woman
becomes a warning.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;I wonder
how many of us mistook
breaking
for opening.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Or whether we were simply taught,
that a cracked spine is easier to forgive on a book,
than on a woman.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Footnote-</title><link>https://consequencedactions.com/posts/footnote/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 22:30:24 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/footnote/</guid><description>&lt;p&gt;I have turned entire cities
into footnotes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;I didn’t forget them, I remembered them incorrectly, that’s why.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Memory has terrible punctuation.
It keeps putting commas where people left,
and full stops where they came back.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;I’ve spent years editing places
that never asked to be rewritten.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;The original still exists.
I’m just no longer its author.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Blind in Granada-</title><link>https://consequencedactions.com/posts/blind-in-granada/</link><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 22:19:45 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/blind-in-granada/</guid><description>dedicado ao meu avô.</description></item><item><title>Gramática Sexual.</title><link>https://consequencedactions.com/posts/gram%C3%A1tica-sexual/</link><pubDate>Fri, 24 Jul 2026 23:50:51 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/gram%C3%A1tica-sexual/</guid><description>Há frases que vestem corpos antes de vestirem sentido.</description></item><item><title>As Paredes Aprendem</title><link>https://consequencedactions.com/posts/as-paredes-aprendem/</link><pubDate>Fri, 24 Jul 2026 23:46:16 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/as-paredes-aprendem/</guid><description>&lt;p&gt;As paredes sabem o meu tamanho,
medem o passo antes de eu passar.
Chamam-lhe ordem. Eu estranho
quem vive sem nunca duvidar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ensinaram-me a baixar os olhos,
a não fazer muito barulho.
Como se os sonhos, quando são enormes,
devessem caber dentro do orgulho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há portas feitas para fechar,
não porque falte a chave ou a mão,
mas porque alguém decidiu chamar
destino à própria prisão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vejo janelas cheias de céu
que ninguém ousa atravessar.
O medo veste sempre um véu
que aprende cedo a disfarçar.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Ressaca</title><link>https://consequencedactions.com/posts/ressaca/</link><pubDate>Fri, 24 Jul 2026 23:39:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/ressaca/</guid><description>(amorosa)</description></item><item><title>All noise.</title><link>https://consequencedactions.com/posts/all-noise/</link><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/all-noise/</guid><description>like cutting a page from a book.</description></item><item><title>Amanhã eu leio isto.</title><link>https://consequencedactions.com/posts/amanh%C3%A3-eu-leio-isto/</link><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/amanh%C3%A3-eu-leio-isto/</guid><description>Para uns dias em breve.</description></item><item><title>Arranco o nome às coisas.</title><link>https://consequencedactions.com/posts/arranco-o-nome-%C3%A0s-coisas/</link><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/arranco-o-nome-%C3%A0s-coisas/</guid><description>&lt;p&gt;Arranco o nome às coisas. Não por lhes querer tirar alguma coisa, pelo contrário.
Arranco o nome às coisas para ver o que sobre quando já ninguém as chama.
Porque talvez o nome seja a primeira gaiola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Chamamos árvore. E esquecemo-nos de que ela nunca quis ser árvore, quis crescer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Chamamos mar.&lt;br&gt;
Como se uma palavra pudesse conter todos os naufrágios, todos os regressos, todas as pessoas que já choraram de frente para a àgua.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Bélico.</title><link>https://consequencedactions.com/posts/b%C3%A9lico/</link><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/b%C3%A9lico/</guid><description>&lt;p&gt;Lembro-me bem, como quem ainda insiste,
de uma manhã inteira, sem pressa nem fim,
o pão a abrir no forno, leve e triste
como flor que não sabia ainda de mim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As mãos mediam o mundo na farinha,
com gestos que quase eram oração,
cada grão criava uma linha
a costurar o tempo ao coração.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na rua, o riso andava solto ao vento,
crianças desenhavam chão e céu,
o dia era comprido, sem sofrimento,
e o futuro cabia num papel.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Liberdades.</title><link>https://consequencedactions.com/posts/liberdades/</link><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/liberdades/</guid><description>&lt;p&gt;Dizem que o mundo anda ao contrário,
e vendem sempre o mesmo cenário,
mudam o filtro, o comentário,
mas o fundo é igual ao horário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dizem-me: “tem calma rapariga,
a vida é longa e pede jeito”,
mas eu nunca fui muito de pedir licença
nem de fazer silêncio ao que me arde no peito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E eu falo, mesmo sem convite,
mesmo que a voz desafie o limite,
porque quem espera pelo sítio certo
fica sempre do lado de fora do grito.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>objetos</title><link>https://consequencedactions.com/posts/objetos/</link><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/objetos/</guid><description>&lt;p&gt;há dias em que falo com objetos
como se eles guardassem versões minhas,
a cadeira sabe onde eu falhei,
o espelho conhece as entrelinhas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;o frigorífico guarda silêncios
entre luz branca e coisas por dizer,
e eu abro a porta sem fome nenhuma
só para ver se volto a ser.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;o mundo continua funcional,
tudo no sítio, tudo normal,
mas eu desloco-me um pouco ao lado
como um leve erro no final.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>pequenos trovões</title><link>https://consequencedactions.com/posts/pequenos-trov%C3%B5es/</link><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/pequenos-trov%C3%B5es/</guid><description>&lt;p&gt;guardo relâmpagos em frascos de vidro,
com rótulos tortos de “talvez”, “duvido”,
coleciono sombras de passos que não dei
e chaves de portas que nunca fechei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;há um pássaro elétrico no meu ouvido
que canta histórias do que não foi vivido,
e um relógio que atrasa só quando eu quero
para esticar um segundo até virar hemisfério.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;planto perguntas no chão da cozinha,
regadas a café e a luz meiguinha,
e crescem respostas com gosto a metal
que dobram a língua num mapa espiral.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Há qualquer coisa em mim</title><link>https://consequencedactions.com/posts/h%C3%A1_qualquer_coisa_em_mim/</link><pubDate>Mon, 20 Jul 2026 15:18:03 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/h%C3%A1_qualquer_coisa_em_mim/</guid><description>&lt;p&gt;Há qualquer coisa em mim que está sempre a chegar tarde.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tarde às palavras,&lt;br&gt;
tarde às respostas,&lt;br&gt;
tarde à versão de mim&lt;br&gt;
que os outros já decidiram conhecer. E eu corro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Corro atrás daquilo que sinto como quem corre atrás de um comboio que nunca esteve destinado a apanhar. Porque o problema nunca foi não sentir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O problema é sentir demais. É ter oceanos onde me pedem copos de água.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>Riimas</title><link>https://consequencedactions.com/posts/riimas/</link><pubDate>Mon, 20 Jul 2026 01:13:54 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/riimas/</guid><description>&lt;p&gt;Entre linhas presas e versos soltos,&lt;br&gt;
caminho num fio que não vejo ao certo.&lt;br&gt;
Dizem-me: &amp;ldquo;mede as sílabas, conta os pontos&amp;rdquo;,&lt;br&gt;
mas o meu peito bate fora do verso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quero rimar como o vento que passa,&lt;br&gt;
sem par nem ordem, só som e verdade,&lt;br&gt;
mas pedem que alinhe palavra com palavra,&lt;br&gt;
como se a alma coubesse na metade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O avô fala de forma de tradição,&lt;br&gt;
de ecos antigos que nunca se perdem,&lt;br&gt;
e eu oiço, há peso na sua razão,&lt;br&gt;
mas há fogos em mim que não obedecem.&lt;/p&gt;</description></item><item><title>before</title><link>https://consequencedactions.com/posts/before/</link><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 14:42:15 +0100</pubDate><guid>https://consequencedactions.com/posts/before/</guid><description>&lt;p&gt;I don&amp;rsquo;t want to read what came before. I don&amp;rsquo;t want to trace the lines I&amp;rsquo;ve already drawn, polish them, correct them, pretend they ever knew where they were going. I want to write forward, blindfolded, barefoot, trusting the stumble as much as the step.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;i want to improvise. to let the words fall out crooked, trembling, alive. I want to be perfect in my imperfection, to make beauty from the accident, to let the story find me mid-sentence, mid-breath, mid-chaos.&lt;/p&gt;</description></item></channel></rss>