Bélico.
Lembro-me bem, como quem ainda insiste, de uma manhã inteira, sem pressa nem fim, o pão a abrir no forno, leve e triste como flor que não sabia ainda de mim. As mãos mediam o mundo na farinha, com gestos que quase eram oração, cada grão criava uma linha a costurar o tempo ao coração. Na rua, o riso andava solto ao vento, crianças desenhavam chão e céu, o dia era comprido, sem sofrimento, e o futuro cabia num papel. ...