Amanhã eu leio isto. Hoje não consigo. Hoje as palavras pesam mais do que deviam, arrastam-se pelo chão do pensamento e fazem eco. Hoje só quero silêncio, aquele que não cura, mas pelo menos adormece.

Amanhã talvez eu leia isto e ache exagerado, dramático, até bonito de uma forma triste. Amanhã talvez eu tenha mais força, mais luz, mais qualquer coisa que me empurre para fora de mim.

Mas hoje não, hoje não, fico só a olhar para o vazio entre as frases, esse espaço onde o coração se esconde quando não quer ser percebido. Hoje deixo as palavras em repouso, como copos de água na mesa depois de uma noite longa, transparentes, quietas, a espera que alguém as beba.

Amanhã eu leio isto e, quem sabe, sorrio, ou choro, ou não sinto nada, mas prometo que amanhã volto. Mesmo que seja só para confirmar que ainda me sei ler.