ontem queria desaparecer, hoje já não caibo no quarto
estranho como o mesmo sonho consegue ser peso e amparo

passei tanto tempo a olhar pela janela do autocarro
que agora quando algo muda eu reparo no cenário

já nem contos os dias, conto as versões minhas
algumas morreram novas, outras ainda caminham

às vezes escrevo uma linha e apago metade
porque nem toda a verdade precisa de sair pela cidade