Dizem que o mundo anda ao contrário, e vendem sempre o mesmo cenário, mudam o filtro, o comentário, mas o fundo é igual ao horário.

Dizem-me: “tem calma rapariga, a vida é longa e pede jeito”, mas eu nunca fui muito de pedir licença nem de fazer silêncio ao que me arde no peito.

E eu falo, mesmo sem convite, mesmo que a voz desafie o limite, porque quem espera pelo sítio certo fica sempre do lado de fora do grito.

Se a liberdade é só palavra bonita, então que a minha seja mais aflita, mais crua, mais dita e redita, até que alguém a ouça, e a repita.

Não quero aplausos de ocasião, nem um lugar específico na multidão, quero o erro, quero a contradição, quero a vida fora do guião.

E se me dizem “vai com cuidado”, respondo “já venho atrasado”, que isto de viver alinhado nunca foi bem o meu fado.