o que eu escrevo não nasceu para agradar a todos os olhos nem para todos os ouvidos ficar

um poema meu nunca será para quem pensa que uma rapariga deve saber calar mas não precisa de aprender a escrever, sonhar, perguntar

não será para quem chama “demais” à voz de quem quer crescer nem para quem confunde ser educada com nunca responder

não escrevo para quem quer flores mas arranca as suas raízes ao passar nem para quem pede liberdade sem deixar ninguém respirar

os meus versos talvez sejam estranhos talvez difíceis de entender mas prefiro ser incompreendida a escrever o que esperam de mim para me poderem ler

porque um poema não tem de ser de todos nem precisa de todos alcançar às vezes basta encontrar uma pessoa que o leia devagar

e se não for para ti, não faz mal. há palavras que não foram feitas para ficar em todas as mãos, em todos os lugares, em todos os olhares

foram feitas para quem sabe escutar.