há dias em que falo com objetos como se eles guardassem versões minhas, a cadeira sabe onde eu falhei, o espelho conhece as entrelinhas.
o frigorífico guarda silêncios entre luz branca e coisas por dizer, e eu abro a porta sem fome nenhuma só para ver se volto a ser.
o mundo continua funcional, tudo no sítio, tudo normal, mas eu desloco-me um pouco ao lado como um leve erro no final.
e não é caos nem é loucura,
é só uma forma de existir,
quando nada parece estranho,
é que começo a desconfiar de mim.