guardo relâmpagos em frascos de vidro, com rótulos tortos de “talvez”, “duvido”, coleciono sombras de passos que não dei e chaves de portas que nunca fechei.
há um pássaro elétrico no meu ouvido que canta histórias do que não foi vivido, e um relógio que atrasa só quando eu quero para esticar um segundo até virar hemisfério.
planto perguntas no chão da cozinha, regadas a café e a luz meiguinha, e crescem respostas com gosto a metal que dobram a língua num mapa espiral.
durmo com mapas debaixo da almofada, para sonhar com caminhos despreocupada, e acordo com poeira do ontem na mão, um tipo de futuro em conservação.