Às vezes penso que nasci demasiado tarde
para acreditar nas promessas,
e demasiado cedo
para desistir delas.
A minha mãe guarda sacos
dentro de outros sacos.
Não por serem bonitos.
Porque podem dar jeito.
Há uma espécie de inteligência
em não deitar fora
quando se aprendeu que tudo pode fazer falta.
Eu herdei isso dela.
Guardo mensagens que nunca vou reler.
Roupas que já não visto.
Pessoas que já me fizeram mal.
Pequenas culpas
que não sei de quem eram
antes de serem minhas.
Talvez seja isto que querem dizer quando dizem economia.
Aprender a conservar
o que nos deram
e chamar-lhe escolha.