Às vezes penso que nasci demasiado tarde para acreditar nas promessas, e demasiado cedo para desistir delas.

A minha mãe guarda sacos dentro de outros sacos.

Não por serem bonitos. Porque podem dar jeito.

Há uma espécie de inteligência em não deitar fora quando se aprendeu que tudo pode fazer falta.

Eu herdei isso dela.

Guardo mensagens que nunca vou reler. Roupas que já não visto. Pessoas que já me fizeram mal. Pequenas culpas que não sei de quem eram antes de serem minhas.

Talvez seja isto que querem dizer quando dizem economia.

Aprender a conservar o que nos deram e chamar-lhe escolha.