Nunca provei do vinho a embriaguez,
nem vi o mundo a rodopiar sem chão,
mas conheci por força de paixão,
a mais amarga e funda lucidez.

Foi o teu nome a dar-me insensatez,
a incendiar-me o peito e a razão,
e ao despertar, sem ti, na solidão,
pesava a alma mais do que uma vez.

Dizem que o vinho passa com a aurora,
que a água e o tempo o levam para o mar,
o amor, porém, demora-se por dentro.

Deixa um silêncio onde a voz namora,
um gosto que não sabe abandonar.
Nunca bebi, mas sei o que é o tormento.