Entre linhas presas e versos soltos,
caminho num fio que não vejo ao certo.
Dizem-me: “mede as sílabas, conta os pontos”,
mas o meu peito bate fora do verso.
Quero rimar como o vento que passa,
sem par nem ordem, só som e verdade,
mas pedem que alinhe palavra com palavra,
como se a alma coubesse na metade.
O avô fala de forma de tradição,
de ecos antigos que nunca se perdem,
e eu oiço, há peso na sua razão,
mas há fogos em mim que não obedecem.
Será que o certo é calar o que invento?
Ou dar ao caos um compasso aprendido?
Talvez no meio, num breve momento,
more um poema que seja sentido.
Porque a regra é mapa, não é prisão,
e a arte respira para além do papel,
se a métrica guia, que não corte a mão
que escreve o que vive dentro da pele.