poemas sobre mussulinis, poemas sobre jardins,
rimas tão forçadas que já nem têm fins.
a mente está baralhada, a lógica emparelhada,
mas a rima está perfeita, a mensagem é que não diz nada.
continuo convencido, com o ego bem erguido,
se o sentido foi embora, foi porque estava aborrecido.
rimo sobre o vento, sobre o tempo e o sentimento,
mesmo que não haja história nem qualquer desenvolvimento.
começo a falar de flores, acabo a falar de dores,
misturo assuntos ao calhas e chamo-lhes grandes valores.
e continuo, e continuo, sem parar para refletir,
porque pensar estraga a rima e eu só quero prosseguir.
se a frase não faz sentido, não me venham corrigir,
que eu prefiro rimar tudo do que ter algo para transmitir.
tenho a mente embaralhada, a lógica abandonada,
uma frase toda torta e a gramática enterrada.
digo coisas sem nexo, invento qualquer contexto,
se não rima com a anterior, eu acrescento mais um verso.